domingo, 8 de novembro de 2009

Numb

Pesquisas recentes apontam para o crescimento no número de usuários da droga mais devastadora que existe. Os efeitos da droga podem durar uma vida inteira e vão desde alucinações até uma profunda depressão, podendo até mesmo levar ao suicídio no curto prazo.

"A" foi usuário dessa poderosa droga por vários anos e nos relatou como foi difícil largar o vício:
"Pô comecei achando que aquilo ali era o meu melhor refúgio, podia me entorpecer daquilo a hora que eu quisesse e pra mim, aquilo era uma espécie de fortaleza emocional. Chegou um momento que não conseguia mais me livrar e as alucinações eram constantes. Eu não sabia mais o que era vida, cara... Era só aquela porra ali o dia inteiro. Pô eu ficava lá trancado no meu quarto 'desfrutando' toda aquela merda... Já estava ficando paranóico, ria e chorava sozinho e eu te falo mais: só a droga me provocava emoções, foda-se o resto. Chegou um momento em que decidi parar com esse vício, mesmo sabendo que seria muito difícil largá-lo. Comecei tomando a primeira atitude, que foi juntar a porra toda e fazer uma grande fogueira. Aos poucos fui procurando outras coisas e me tornando cada vez menos dependente e vendo que a vida é muito mais do que essa droga, cara... Porra e vou te falar uma coisa importante, acho que grande parte das pessoas possui esse vício e elas não conseguem largá-lo, pois acham impossível. Mas se elas fizerem um esforço, verão que é possível viver com doses moderadas da droga, mas sem depender dela... Pô acho que é isso..."

Não é álcool, cocaína ou crack. A droga chama-se Passado.

sábado, 7 de novembro de 2009

Aspectos da defenestração

Sentia-se leve, era como uma pluma dançando no ar. Uma brisa alisava cautelosamente os seus cabelos e os seus braços eram os remos que conduziam o seu corpo pelo ar. Estava realizado, e as lágrimas rolavam pelo rosto, contornando o nariz e encontrando abrigo no imenso sorriso que estendia-se contra o vento.

Arrebentou a cara no cimento duro.

Naqueles quatro segundos em que o rosto esmigalhado chorava uma dor crônica, descobriu que belos sonhos e vôos altos podem ser extremamente venenosos, especialmente quando combinados com a gravidade.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sem hipocrisia

- O que você vai ser quando crescer?
- Vou terminar o colégio, depois prestar vestibular para Medicina, Engenharia ou Direito, terminar a faculdade, arrumar um emprego, estabilizar-me, casar-me e ter filhos. Meus filhos terminarão o colégio, prestarão vestibular para Medicina, Engenharia ou Direito, terminarão a faculdade , arrumarão um emprego, se estabilizarão, se casarão e terão meus netos. Descobrirei que tenho algum tipo de câncer, meu corpo degenerará e morrerei.
- ...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Knockout

Beijou a lona.
Agora só restava levantar e rir da derrota.
Afinal de contas, uma cara calejada sente menos as porradas.

domingo, 1 de novembro de 2009

Filosofia de vida

Banho gelado.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Equivalentes

O banco da praça
A multidão que passa
O idoso se senta O jovem se ausenta
O passado só resta O futuro não presta
Velhice odiosa Juventude ociosa
O corpo cansado O coração cortado
A vida sofrida A morte querida
O velho se apresenta O novo o cumprimenta
Aquela nostalgia Aquela agonia
Antigas memórias Recentes histórias
Boa Conversa
Conversa Boa

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A resposta de Pai Afonso

Vivia uma crise existencial. Não sabia quem era, porque estava vivendo e qual seria o sentido da vida. A religião já não fazia mais nenhum sentido para ele. Falaram-lhe então do Pai Afonso, um velho sábio que vivia nas montanhas e que poderia ajudá-lo com o vazio que o atormentava.
Seguiu então até as montanhas, chegando até uma rústica cabana encravada entre alguns pinheiros. Bateu na porta e para sua surpresa encontrou o Pai Afonso, um idoso com um cavanhaque grisalho bem aparado, vestindo um bonito terno Armani. Pai Afonso pediu que entrasse e se acomodasse em um dos lugares do pequeno espaço. Escolheu uma poltrona verde ao lado de um sofá de couro, onde sentou-se Pai Afonso.
Foram duas horas descarregando todas as suas angústias, seus questionamentos internos e seus desprazeres quanto ao ato de viver. Perguntou então:
- Por favor Pai Afonso, você pode me ajudar?
Pai Afonso respondeu:
- Certamente.
Sacou uma Magnum 357 do Armani e acertou um tiro no meio da testa do rapaz.
- Chato pra caralho. Filho da Puta.
Guardou a arma, levantou-se do sofá, jogou o corpo para fora da cabana e foi tomar uma xícara de café.